Homens e mulheres sexualmente ativos podem contrair HPV com facilidade
Por Camila Freitas e Morgana Laux
O Papilomavírus Humano (HPV) atinge 80% da população sexualmente ativa nos dias de hoje. A alta transmissão do vírus está relacionada à falta de informação, aos relacionamentos rápidos, à resistência aos preservativos, à mutação do vírus e ao descuido com a higiene pessoal.
A doença sexualmente transmissível tem estudos desde a década de 50, quando pesquisadores começaram a identificar casos de verrugas genitais. “Hoje, há aproximadamente 120 tipos de vírus de HPV. Apesar de 15 tipos serem considerados de alto risco (malignos), mais de 90% dos casos de câncer de colo do útero são relacionados aos tipos de menor risco”, ressalta Fabiana Ribarcki, bióloga e palestrante sobre doenças sexualmente transmissíveis.
A libertação sexual merece destaque. As diversas formas de relacionamento moderno podem propiciar a contração do vírus, já que ele tem predileção pelas regiões genitais e independe da opção sexual dos indivíduos. Além disso, o sexo oral, anal e a manipulação das genitálias são fontes de transmissão da doença. “O HPV não é totalmente prevenido pelo uso da camisinha, mas ela ainda é eficiente no bloqueio da transmissão por lesões internas”, alerta Fabiana Ribarcki, quando questionada sobre a utilização da camisinha como barreira ao vírus.
Atualmente, com a intensa libertação referente ao sexo, jovens ficam atentos a informações sobre a transmissão do vírus e aos cuidados para evitar infecções. “Hoje existe a facilidade da abertura sobre atividade sexual, o que permite que se fale sobre riscos e precauções. A mídia tem informado sobre assuntos como anticoncepção, riscos e cuidados. Assim, destaca-se a informação sobre HPV, entre outras prevenções (AIDS, Clamídia). Além da mídia, a própria participação dos pais, orientando e levando seus filhos a profissionais especializados, onde podem tirar suas dúvidas e obter conhecimento real sobre o assunto, facilita a prevenção da infecção por HPV entre outras. Sem dúvida, quanto maior a informação, maior a chance de se evitar a transmissão”, comenta a Dra. Ceres Helena Borda Dias, ginecologista e obstetra do Hospital Moinhos de Vento.
A respeito de mulheres já infeccionadas pelo HPV, durante a gravidez há cuidados para não prejudicar e transmitir o papiloma vírus ao feto. “Habitualmente não há problemas de desenvolvimento do feto, mas deve ser realizado o cuidado básico com a infecção em si e seu adequado tratamento. Infecção ativa não tratada pode ser indicação para resolução do parto via alta – cesariana – para evitar contaminação ao bebê”, ressalta a Dra. Ceres.
Para prevenir a transmissão do HPV, estão sendo comercializadas no mercado vacinas que realizam proteção específica contra alguns tipos de papilomavírus.
Localização do Hospital Moinhos de Vento:
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Depoimento de A. B, homem de 24 anos, portador do HPV:
Blog: Antes de tomar ciência sobre a manifestação do HPV no corpo, em algum momento você procurou se informar sobre o vírus?
A.B: Já conhecia o hpv de ouvir falar, mas não sabia muito bem como funcionava. Nunca
procurei me informar.
Blog: A respeito das relações sexuais,após descobrir que é portador do virus, há alguma mudança de comportamento? Há procura maior pela prevenção?
A.B: No meu caso, descobri que tinha quando minha parceira descobriu. Se ela tem, então eu também tenho. Nós estamos tratando os problemas que o hpv traz. Não estamos preocupados com prevenção, afinal os dois já tem o vírus. Se eu fosse ter relações com outra pessoa que não tem o vírus, aí sim seria importante a prevenção, mas
esse não é o caso.
Blog: Se antes de descobrir o vírus, você utilizava a camisinha para barrar doenças, como fica essa questão: pensar que está protegido e depois de algum tempo tomar ciência de que o preservativo não bloqueou a transmissão?
A.B: É bem complicado saber que não é possível se proteger dessa doença. Na verdade, não se pensa sobre isso até a descoberta do problema. Existe falta de esclarecimento em relação a essa doença, mas mesmo que existisse esse esclarecimento, de nada adiantaria. Não acredito que as pessoas deixariam de ter relações por medo do hpv. Não é uma doença perigosa.
Blog: Após a descoberta, é difícil lidar com os relacionamentos amorosos? Acreditar na namorada ou namorado ou ela acreditar em você?
A.B: No meu caso não é difícil. Acredito na minha parceira e sou bem seguro nesse sentido. Sei que ela não me traiu nem nada desse tipo. Acredito também que quem transmitiu a doença para ela fui eu, pois já tive relacionamentos anteriores. Transmiti a doença sem saber, e isso é o pior. No meu corpo o hpv nunca se manifestou, porém é bastante comum ter o hpv e transmiti-lo, sem contudo que ele se manifeste. Isso é bem comum principalmente nos homens.
Blog: Os gastos com a doença são altos?
A.B: Para os homens, caso existam verrugas ou algo do tipo, é necessário cauterizar. Caso contrário não há o que fazer. Eu me enquadro no segundo caso. Para as mulheres, é necessário um tratamento doloroso e mais caro dependendo do estágio. As mulheres devem também fazer um acompanhamento visitando a ginecologista de seis em seis meses para verificar se o hpv não voltou a se manifestar. Também existem vacinas para alguns tipos de hpv que podem ser tomadas inclusive por pessoas que não são portadoras do virus. Essas vacinas também são caras.
** O nome AB é fictício para preservar a imagem do indivíduo.
Confira na página do G1 um infográfico sobre a tranmissão do HPV: http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL345665-5603,00-CANCER+E+EFEITO+COLATERAL+DE+MANIPULACAO+GENETICA+COMANDADA+PELO+HPV.html